Atentado reacende guerra de clãs
Após período de trégua, a guerra entre as famílias Ferraz e Novaes, de Floresta, Sertão, ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (11). Por volta das 7h30, três homens que estavam em um Fiesta tentaram assassinar a tiros o policial civil afastado de suas funções Carlos César Florentino Novaes, 34 anos. Ele trafegava em seu carro, um Gol verde, em Maranguape I, Paulista, Grande Recife. Mais de 30 tiros foram disparados contra a vítima, mas apenas cinco atingiram-na, todos de raspão. Levado para o Hospital Miguel Arraes, em Paulista, foi medicado e liberado.Em depoimento, confirmou aos policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que sofreu uma tentativa de homicídio devido à briga entre os dois clãs, responsável por várias mortes, nos últimos anos.
Carlos está afastado das funções desde fevereiro de 2005. Um mês antes, tentou matar a tiros, em um bar no Cordeiro, Zona Oeste do Recife, o funcionário da Empresa Municipal de Trânsito e Transporte de Jaboatão dos Guararapes (EMTT) Marco Antônio Ferraz Nunes, na época com 36 anos.
“Ele informou que tentou matá-lo para defender-se, já que Marco Antônio estaria armado para matá-lo”, explicou o delegado Paulo Clemente, do DHPP.
O crime de ontem mostrou que os acusados queriam executar Carlos Novaes. “Ele teve muita sorte de ser atingido apenas de raspão, tamanha a quantidade de tiros. Em depoimento, contou que estava sozinho no carro quando foi abordado por três homens que chegaram atirando. Abriu a porta para se defender, derrubou um bandido, pegou a arma dele, voltou para o carro e começou a revidar os tiros”, disse Clemente.
Como está respondendo processo e afastado das funções, Carlos não pode andar armado. No carro, a polícia encontrou um carregador de revólver calibre 380 milímetros. “O irmão de Carlos é policial civil no Sertão e disse ser o dono do carregador”, completou Clemente.
Em depoimento, o irmão, que não teve o nome revelado, contou ter alertado Carlos, semana passada, via e-mail, que um grupo de homens sairia do Sertão para matá-lo no Recife. No e-mail, o policial teria enviado fotos dos possíveis matadores. Em rápida conversa com o JC, confirmou que Carlos sofreu o atentado por ser um Novaes. “Essa briga não vai acabar nunca”, resumiu. Os nomes dos suspeitos serão repassados para policiais da Delegacia de Paulista, que vão investigar o caso.
A rixa entre as famílias Ferraz e Novaes teve início em 1913 pela disputa do poder político. Depois de um período de aparente paz, as mortes voltaram em 1992, com o assassinato do então prefeito Francisco Ferraz Novaes. Em dezembro do mesmo ano, os Ferraz conseguiram matar três Novaes, e em abril de 1993, um triplo homicídio abalou Floresta. Um dos mortos era filho do prefeito assassinado em 1992 e mais uma vez as desconfianças caíram sobre os Novaes.
Do Jornal do Commercio
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